GEEC USP recomenda: (Dis)Honesty Project, na Netflix

Indicações

Por isabelatazima em maio 18, 2018

Você quer Economia Comportamental no Netflix, @?

(Dis)honesty Project é um documentário produzido e apresentado por Dan Ariely, professor de Duke e um dos mais famosos autores sobre Economia Comportamental.

Ao perguntar para uma platéia se haviam mentido sobre algo desde 2014, quase todos disseram que sim. Curiosamente o mesmo grupo de pessoas também levantou a mão quando lhes perguntado se eles se consideravam pessoas honestas. Por que isso ocorre? A resposta se encontra na racionalização que fazemos. Se por um lado gostaríamos de nos ver como boas pessoas, por outro lado queremos nos beneficiar em situações específicas. A sacada de Ariely é que praticamente todo mundo é desonesto “um pouquinho”. Aqui, este pouquinho toma forma de andar a 60km/h em uma via onde o máximo é 55km/h, não pagar um ou outro imposto, não falar para sua amiga que o vestido na verdade ficou ruim. Com esses pequenos desvios não deterioramos nossa auto-imagem. O professor de Duke chama esse fenômeno de Fudge Factor. Fatores que podem alterá-lo são, por exemplo: falta de supervisão, a frequência com que outros também estão fazendo, normas sociais e conflitos de interesse. No entanto, se somados, esses pequenos desvios podem trazer enormes consequências negativas.

Em um experimento, os participantes resolviam problemas simples, verificavam suas respostas, reportavam seus acertos (que valiam $1 cada) e colocavam sua folha de respostas em um moedor de papel. Foram reportados em média 6 acertos, quando na verdade eram em média 4. Ariely sabia disso porque a trituradora na verdade não picava as folhas, então ele pode conferir se as pessoas mentiam ou não. O que ele descobriu foi que sim, haviam grandes mentirosos, mas em pequena escala. Por outro lado, 70% dos participantes mentia um pouquinho. No final, o montante do dinheiro roubado pelos pequenos mentirosos era 100 vezes maior do que pelos grandes mentirosos.

Ariely e colegas fizeram variações deste experimento. Em uma delas, um ator se passava por um aluno da Carnegie Mellon, de onde os participantes eram. Em 30 segundos de prova ele dizia ter resolvido e acertado todas as (quase impossíveis) 20 questões. Nessas condições os alunos tinham a confirmação não só de que sairiam impunes mas que era socialmente aceitável mentir sobre as respostas, pois uma pessoa como eles o havia feito. Com isso, as mentiras aumentaram. Porém, com uma pequena mudança de moletom, agora o ator se passava pela Universidade “rival”, Pittsburgh. Os alunos ainda obtinham a confirmação de que sairiam impunes, mas não havia mais a percepção de que o ator era uma pessoa similar à eles, ou na qual elas se identificavam, o que fez as trapaças diminuírem.

O documentário varia entre depoimentos de pessoas que passaram por sérias consequências por serem desonestas (e viraram notícia) e experimentos conduzidos por Ariely e colegas, onde se indica qual foi a principal motivação da mentira. Além de trazerem ideias importantes sobre o fenômeno da desonestidade, vale as risadas das piadas acadêmicas. Por isso, é a nossa indicação da semana!

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *