Uma breve introdução

História e Metodologia

Por Flora Finamor Pfeifer em março 28, 2018

Economia é sobre fazer previsões. Busca-se racionalizar o comportamento humano e social e, assim, agir da melhor forma na alocação de recursos — seja na escala macro ou micro.

Segundo a teoria econômica clássica, assumimos que o indivíduo – conhecido como Homus Economicus – assume um comportamento 100% racional. Repare que a nomenclatura é exatamente referente a um homem irreal, que só existe nos modelos: os economistas sabiam que havia exceções, disfunções, outras motivações que não a busca pela maximização do lucro e do bem estar, só as deixavam de fora no modelo, buscando simplificá-lo. Ora, a economia quer prever o que há lógica, e isso seria impossível analisando as razões particulares a cada indivíduo que os fazem fugir de um padrão.

Contudo, a economia comportamental surge a partir do relaxamento desta hipótese inicial, justamente porque têm-se identificados padrões que fogem ao comportamento esperado do Homus Economicus. Se conseguimos estabelecer padrões por outros meios que não o modelo microeconômico clássico,  essas razões devem sim ser estudadas para configurar, assim, o progresso da ciência econômica. A economia comportamental, pois, não é a contradição da micro, mas sim o complemento dela! Estuda a outra faceta do ser humano e discorre padrões sobre o seu lado não tão racional — previsivelmente irracional, como define Ariely, e isso faz toda a diferença. Porque, sem ter um padrão, não há como se embutir uma teoria econômica. Comportamentos que fogem de uma razão lógica – mesmo que extrínseca ao indivíduo – não nos levam a lugar nenhum. É justamente isso que explica a E.C.: embutir a racionalidade da ação exogenamente à motivação individual, e não pelo preceito de uma racionalidade intrínseca. Se a gente pode assumir a causa daquilo, há lógica! O mais legal é que, além dos fundamentos matemáticos para comprová-la, podemos recorrer a outros campos, como a psicologia, a sociologia, a biologia ou a neurociência, aproximando, assim, um conhecimento que só existe no arcabouço teórico da realidade.

É por isso que as pessoas têm dificuldade em poupar dinheiro ou parar de fumar ou fazer dieta, por exemplo, por conta do desconto intertemporal que gera mais peso pro agora do que pro futuro.

É por isso que você tende a valorizar mais o que você já tem e é passível de perda do que na aquisição do que nunca teve.

É por isso que uma pessoa está propensa a cometer atos corruptos em um país onde isso é altamente recorrente, por mais que, em tese, saibam que isso é errado.

É por isso que, por vezes, introduzir motivações sociais e sentimentais tem mais eficácia do que fornecer uma recompensa monetária, dependendo do valor.

É também a razão das taxas de doação de órgão aumentarem orbitalmente quando a opção padrão é doá-los, da taxa de suicídio ter sido reduzida bruscamente ao se mudar o tipo de gás no forno, do grande impacto no resultado das eleições brasileiras quando se mudaram as urnas para eletrônicas e de você ter medo do terrorismo ou de avião ou de terremoto e não ter de andar de carro.

Assim, reconhecendo e entendendo os padrões de distorções, podemos achar soluções para consertá-las e, assim, maximizar o bem estar e a utilidade dos indivíduos, através, por exemplo, dos Nudges – alô Thaler e parabéns pelo Nobel!

 

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *